quinta-feira, 24 de julho de 2008

A MELHOR BANDA DOS ÚLTIMOS TEMPOS DA ÚLTIMA SEMANA

Receita do dia:
Em um estúdio musical localizado numa cidadezinha no sul da França, junte um Arctic Monkey, um Rascall, um Simian Mobile Disco e um Arcade Fire regendo a Orquestra Metropolitana de Londres.
Misture tudo.
Pronto está feita a melhor banda de rock da atualidade (pelo menos enquanto os Arctic Monkeys não lançam disco novo hehehe).
Estamos falando do The Last Shadow Puppets, projeto paralelo do vocalista do Arctic Monkeys, Alex Turner, junto com o Miles Kane, do Rascals.
Alex e Kane resolveram levar a sério a brincadeira adolescente de suas bandas e montaram esse sensacional projeto paralelo.
Os dois se conheceram quando a antiga banda de Miles Kane (o Little Flames) acompanhou os Monkeys durante uma turnê pela Europa.
Os dois começaram a compor juntos e depois chamaram Owen Pallett do Arcade Fire para reger a Orquestra Metropolitana de Londres e o produtor James Ford (uma das partes do Simian Mobile Disco) para mixar e dar acabamento às canções.
O resultado dessa parceria é o primeiro disco da dupla, The Age of The Understatement, que é um belíssimo disco, diga-se de passagem.
O disco é basicamente um pop melódico sessentista rejuvenescido graças ao timbre quase pueril de Alex Turner.
Nas letras o "macaco ártico" solta da mão de assuntos típicos do cotidiano juvenil, e aborda temas mais densos e até então intocados por ele. Como o amor e a desilusão de perdê-lo. Detalhe, nas letras Alex fala em terceira pessoa.
"Standing next to me" soa como uma música perdida dos Beatles. Menos de dois minutos e meio de duração, mas com a capacidade de ser a música da vida de alguém.
"The Age of Understatement", faixa que abre o álbum, é a definição perfeita de pop épico com sua bateria marchada e violinos afinados.
O vocal de Alex e Miles casa tão perfeitamente que é quase impossível diferenciar quem é quem quando cantam juntos em baladas como em "The Chamber" e "My Mistakes Were Made For You".
Mesmo quando acelera os andamentos e solta a mão na guitarra como em "I don't Like You Anymore", o LSP soa diferente do Arctic Monkeys. Não é mais uma daquelas bandas que surgem da noite para o dia (de onde saiu o Tokio Hotel???????ARGH!!!!), descartáveis como os copos usados para se beber cerveja nos festivais de rock pelo mundo afora.
É um som que podemos ouvir em casa tomando um bom vinho e divagando sobre nossas crises existenciais (de onde vim? Para onde eu vou?).
Digo mais. “The Age of The Understatement” é um excelente álbum de estréia que revive a melhor época do pop. Quando ele era capaz de marcar profundamente a vida de uma pessoa.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

DOSES HOMEOPÁTICAS DE MÚSICA.

Depois de muito tempo longe, eis-me aqui novamente ('tô de férias!!!) para falar de dois discos que eu não consigo parar de ouvir.
Um cara e uma garota.
Jason Mraz, que nos faz cantar, dançar e roubar coisas(!) e Adele, que com sua voz suave e macia nos faz relaxar.
Então vamos lá.
Jason Mraz - We sing, We dance, We steal things.
Poucas vezes se viu um título de um albúm tão feliz como este terceiro da discografia de Jason Mraz.
Yes, we sing! Depois da primeira audição desse disco, não paramos de cantar, cantar e cantar os pegajosos refrões das 12 faixas do albúm. E isso não é ruim, acredite!
Yes, we dance! Embalados pelo irresistível piano onipresente nas músicas e pelos metais maravilhosos ao longo das faixas.
Yes, we steal things! Arranjos, harmonias, melodias, grooves do melhor do R&b e Soul Music setentista, dando-lhes ares modernosos, sem parecer pretensão da parte de Jason, aptos a tocarem nas melhores festas das melhores grifes do planeta, ou nos iPods dos descolados de plantão.
"We sing, We dance, We steal things", como se vê é um albúm onde nada foi criado do zero. Tudo foi moldado, adaptado, adequado à nossa época. Uma excelente releitura, sem necessariamente uma regravação sequer.
Destaques para a faixa de abertura do disco, "Make it mine", "Lucky" perfeita pra aquelas rodinhas de amigos com violão numa noite de lua cheia e céu estrelado, e ainda conta com a participação de Colbie "Bubbly"Caillat, "I'm Yours", primeiro single, ótima pra se fazer uma declaração de amor pra alguém (...i won't hesitate, no more no more, it can't not wait i'm yours...) e "Butterfly", que com seu arranjo de metais faz com que qualquer pessoa dance do início ao fim da música.
We sing, we dance, we steal things, é um ótimo albúm que é retrô e ao mesmo tempo "mudérrno".



Adele - 19
A voz marcante é a primeira coisa que chama a atenção em Adele, jovem cantora e compositora inglesa que despontou no ano passado com canções intimistas, cuja sonoridade pop, acrescida de elementos do jazz contemporâneo e efeitos modernos, a levaram a atingir o primeiro lugar nas paradas britânicas no início deste ano.
Em sua estréia, Adele comete um trabalho dos mais classudos deste já maravilhoso ano de 2008 para a música. A voz marcante e forte funciona em total sintonia com a bela e perfeita fusão de estilos que se propõe a fazer com maestria de poucos, e tendo como objetivo um irresistível pop de luxo, Adele passeia muito bem por várias vertentes da música como o jazz, soul, gospel e afins.
Uma das grandes virtues de Adele neste albúm é a versatilidade, ou seja, se você quiser uma música pra cantarolar e sair por aí estalando os dedos ouça a deliciosa "My same". Caso queira uma interpretação daquelas capazes de dilacerar a alma, vá para "Chasing Pavements", se deseja fazer alguém dançar com uma música do mais alto nível possível, não exite em colocar na pista "Right as Rain". Se quiser sentir toda a acidez da moça ouça "First Love", saca só o que diz a letra: ..."excuse me first love, but we’re through. I need to taste the kiss from someone knew...”. Ouça com atenção também "Tired", uma de minhas preferidas do albúm.
A música de Adele é música de bom gosto e "19" é um disco indispesável em qualquer coleção musical.